Usa um perfume de que adora, uma amiga compra-o por sua recomendação e, nela, não cheira nada parecido. Nada de anormal: o mesmo perfume revela-se de forma diferente de pessoa para pessoa. É um dos princípios básicos da perfumaria, ainda mais evidente nas composições orientais, ricas e concentradas. Eis porquê e como ter isso em conta ao escolher o seu perfume.
Um perfume nunca deve ser avaliado pelo frasco
Uma água de perfume é uma mistura de dezenas de matérias aromáticas diluídas em álcool. Num lenço ou no frasco, sente apenas a superfície: na pele, a composição entra em contacto com o calor, a humidade e as gorduras naturais do corpo, que interagem com cada molécula à sua maneira. É por isso que os perfumistas falam de «evolução»: um perfume constrói-se ao longo de várias horas, desde a primeira vaporização até ao fundo olfativo.
E, como cada pele é diferente, essa evolução também o é. Duas pessoas que usam o mesmo perfume nunca cheirarão exatamente à mesma coisa, sobretudo depois da primeira hora.
Por que razão o perfume muda consoante a pele
Vários fatores explicam estas diferenças:
- O tipo de pele. Numa pele oleosa, as matérias perfumadas fixam-se e evaporam lentamente: o perfume dura mais tempo e desenvolve-se com maior profundidade. Numa pele seca, evapora-se mais depressa e parece mais leve, por vezes mais alcoólico.
- A hidratação. Uma pele bem hidratada retém muito melhor as notas do que uma pele desidratada. É por isso que se recomenda aplicar perfume logo depois do duche ou sobre um creme neutro.
- O pH da pele. A acidez da pele varia ligeiramente de pessoa para pessoa e pode alterar a forma como certas notas se revelam, sobretudo as notas frutadas e florais.
- A temperatura corporal. As zonas quentes (pescoço, pulsos, dobras dos cotovelos) amplificam a projeção: duas pessoas com temperaturas de pele diferentes não projetam o mesmo perfume da mesma forma.
- O resto do ritual. Gel de banho, creme corporal, detergente da camisola usada nesse dia: tudo o que se sobrepõe ao perfume contribui para o resultado final.
- O próprio olfato. Nem todos percecionamos os cheiros com a mesma intensidade, e a nossa perceção muda com o cansaço, as hormonas ou o hábito. O perfume que VOCÊ sente nem sempre é exatamente aquele que os outros sentem.
É por isso que um perfume adorado por alguém próximo pode desiludir na sua própria pele. O único teste que realmente conta é usá-lo durante várias horas.
Por que razão isso é ainda mais evidente nos perfumes orientais
As águas de perfume do Golfo são concentradas e ricas em matérias intensas: oud, âmbar, almíscar, açafrão e baunilha. Estas composições evoluem durante muito tempo, frequentemente ao longo de 8 a 12 horas. Em duas peles diferentes, o resultado pode, portanto, variar mais do que com uma água fresca e leve: numa, o gourmand Khamrah será dominado pelo café; noutra, será a doçura açucarada a destacar-se. É também por isso que, na Parfum Orient, descrevemos sistematicamente a pirâmide olfativa completa de cada perfume: as notas revelam-se por uma determinada ordem e com intensidades que dependem precisamente da pele que as usa.
Os óleos de perfume, que não contêm álcool, são o caso extremo: fundem-se na pele e tornam-se quase uma assinatura pessoal. É esse o interesse de formatos como o Noora ou o almíscar tahara Coco Baunilha, como explicamos em detalhe no nosso guia sobre perfumes árabes discretos.
Como testar um perfume nas melhores condições
Se está a descobrir um perfume, siga este protocolo simples:
- Teste-o numa pele limpa e hidratada, idealmente depois do duche, sem outro produto perfumado que possa falsear o resultado.
- Duas pulverizações são suficientes: uma no pulso e outra no pescoço. Evite esfregar os pulsos um contra o outro.
- Aguarde a evolução completa: avalie o perfume depois de 1 hora e novamente após 4 a 6 horas. Os primeiros minutos quase nada dizem sobre o fundo.
- Não teste mais de dois ou três perfumes por dia: o olfato satura rapidamente e as impressões misturam-se.
- Repita o teste noutro dia, se possível: a perceção varia com o cansaço, o tempo e o estado de espírito.
Este protocolo aplica-se a todos os formatos, incluindo brumas como a bruma Yara, que evoluem rapidamente, mas beneficiam de ser testadas numa pele hidratada.
Layering: tirar partido das diferenças da pele
Boa notícia: estas reações com a pele não são um problema, são uma ferramenta. Ao sobrepor dois produtos (um óleo de almíscar sob um floral, um gourmand sobre uma base suave), cria-se um perfume único que ninguém mais usará exatamente da mesma forma. Explicamos a técnica passo a passo no nosso guia sobre layering de dois perfumes árabes.
Aliás, é uma prática muito difundida no Médio Oriente: óleos, brumas e águas de perfume são combinados livremente, e cada pessoa acaba por criar a sua própria assinatura a partir dos mesmos produtos.
Perfume e pele: perguntas frequentes
Por que razão o meu perfume cheira menos intensamente do que o da minha amiga, que usa o mesmo?
A sua pele é provavelmente mais seca, o que acelera a evaporação das matérias perfumadas. Hidrate a pele antes de aplicar o perfume, com um creme neutro ou sem cheiro: a duração melhora imediatamente. O formato também conta: um óleo ou um extrato dura mais tempo do que uma água de perfume.
O pH da pele pode realmente alterar o cheiro de um perfume?
Sim, a acidez da pele pode alterar a forma como certas notas se desenvolvem, sobretudo as florais e frutadas. É um fator entre vários, a par do tipo de pele, da hidratação e da temperatura.
Como encontrar o perfume certo para mim se o perfume de outra pessoa não me fica bem?
Testando-o na sua própria pele, com um protocolo simples e no máximo um ou dois perfumes por dia. Se um estilo o desilude na sua pele, explore outra família: um almíscar ou um gourmand revelar-se-á de forma muito diferente de um amadeirado intenso. Na Parfum Orient, as nossas fichas de produto detalham as pirâmides olfativas para o orientar, e toda a gama pode ser descoberta na coleção completa.
Um perfume pode cheirar de forma diferente em mim consoante o dia?
Sim. A sua hidratação, alimentação, hormonas, temperatura exterior e até o stress alteram a pele e a sua perceção. Um perfume usado no verão não se revela da mesma forma que no inverno e parecerá diferente consoante a pele esteja seca ou bem hidratada nesse dia.
O essencial a reter
O mesmo perfume nunca cheira exatamente da mesma forma de pessoa para pessoa, porque a pele, com a sua temperatura, hidratação, tipo e pH, participa ativamente na composição. Isso é ainda mais evidente nos perfumes orientais ricos e concentrados e é o que lhes confere o seu encanto: na sua pele, tornam-se uma assinatura única. Teste sempre um perfume na sua pele durante várias horas antes de tirar conclusões, hidrate-se antes de o aplicar para melhorar a duração e não hesite em sobrepor formatos para criar o seu próprio acorde.
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